O uso de substâncias psicoativas tornou-se um grave problema de saúde pública em diversos países do mundo e está, muitas vezes, associado à comportamentos criminosos e violentos, tal como violência familiar. E ocorre, principalmente, com indivíduos com histórico de comportamento agressivo e com complicações médicas e psiquiátricas, ocasionando o aumento dos índices de morbidade e mortalidade (SCHEFFER; PASA; ALMEIDA, 2010).

O ser humano, desde sua origem, realiza a busca de alternativas para aumentar seu prazer e cessar seu estresse. No início, eram usados os chás alucinógenos, os óleos medicinais, o tabaco e inclusive, o chá extraído do cannabis sativa. Essas práticas ocorriam de forma regrada por normas sociais e por rituais e tinha a finalidade curativa, ritualística ou até mesmo mística (MARTINS; CORREA, 2004).

Partindo destas afirmações, o consumo de substâncias psicoativas não é algo novo no ser humano, mas sim, uma prática milenar e universal que os indivíduos utilizam com o intuito de modificar o estado de consciência (TOSCANO JR., 2001). Pesquisas mostram que a dependência química é vista como uma patologia crônica e recorrente, ocasionada pela interação prolongada da ação de uma determinada substância no sistema nervoso central, podendo resultar em alterações irreversíveis em distintas estruturas do encéfalo (CAFRUNI; BROLESE; LOPES, 2014).

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (2002), cerca de 3,3% a 4,1% da população mundial faz o uso de algum tipo de droga ilícita, sendo destes, 2,5% fazem uso de maconha (OMS, 2002). Dentre os critérios para diagnóstico de dependência de substância psicoativas está incluso um padrão de consumo em grandes quantidades, com frequência alta, ocasionando um conjunto de sintomas cognitivos, fisiológicos e comportamentais prejudiciais ao funcionamento orgânico do indivíduo (CAFRUNI; BROLESE; LOPES, 2014).

O tratamento voltado à indivíduos portadores de transtornos ocasionado por uso de substâncias psicoativas é extremamente desafiador, pelo fato de que apesar dos esforços no objetivo de amenizar o consumo, grande parte dos pacientes persistem em um comportamento autodestrutivo. Estudos nas últimas décadas mostram que as tentativas de manejo da abstinência de substâncias como a nicotina e o álcool revelam uma taxa de 70% a 80% de índice de recaídas no período de doze meses (CORDIOLI, 2008). Em grande parte, os transtornos relacionados à adição são caracterizados por altas taxas de recaída após o sucesso inicial do tratamento (MARLATT; GORDON, 1994).

Apesar da complexidade do tratamento da dependência química, a Terapia Cognitivo-Comportamental se mostra efetiva. Suas práticas ocorrem através do uso de suas técnicas e estratégias, voltando o foco para a mudança de crenças e pensamentos disfuncionais referentes ao uso de substâncias químicas em favor das crenças e pensamentos funcionais.

 

REFERÊNCIAS

CAFRUNI, K. H.; BROLESE, G.; LOPES, F. Tratamentos Não Farmacológicos para Dependência Química. Diaphora. Revista da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul 14(1). Jan/Ago. 10-19. 2014.

CORDIOLI, A. V. Psicoterapias:Abordagens Atuais. Porto Alegre: Artmed. 2008.

DOBSON, D.; DOBSON, K. S. A terapia cognitivo-comportamental baseada em evidências. Porto Alegre: Artmed, 2010.

MARLATT, G. A.; GORDON G. R. Prevenção da Recaída. Porto Alegre: Artes Médicas. 1994.

MARTINS, E. R; CORRÊA, A. K. Lidar com substâncias psicoativas: o significado para o trabalhador de enfermagem. Revista Latino- Americana de Enfermagem, 12, 398-405. 2004.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. O Relatório Mundial de Saúde: reduzindo riscos, promovendo uma vida saudável. Genebra: Organização Mundial da Saúde. 2002.

SCHEFFER, M.; PASA, G. G.; ALMEIDA, R. M. Dependência de álcool, cocaína e crack e transtornos psiquiátricos. Psicologia Teoria e Pesquisa, 26.( 3 ). 533-541 . 2010.

TOSCANO JR., A. Um breve histórico sobre o uso de drogas. Em: SEIBEL, S.; TOSCANO JR., A. (orgs.). Dependência de drogas. São Paulo: Atheneu. 2001.

 

Escrito por:

Yuri Lopes

Psicólogo

CRP 07/32081